Mau Humor…

Estou de Mau Humor!

Código de Conduta

1. Este Blog incentiva o debate responsável. Está aberto a todo tipo de opinião. Mas não aceita ofensas. Serão eliminados comentários contendo:

* - Insultos
* - Difamação
* - Manifestações de ódio e preconceito

2. É um espaço para a troca de ideias, e todo leitor deve sentir-se à vontade para expressar a sua. Não serão tolerados:

* - Ataques pessoais
* - Ameaças
* - Exposição da privacidade alheia
* - Perseguições (cyber-bullying) e qualquer outro tipo de constrangimento

3. Incentivamos o leitor a tomar responsabilidade pelo teor de seus comentários e pelo impacto por ele causado: informações equivocadas devem ser corrigidas, e mal entendidos, desfeitos.

4. Este Blog defende discussões transparentes. Não se dispõe a servir de plataforma de propaganda ou proselitismo, de qualquer natureza.

5. Dos leitores, não se cobra que concordem, mas que respeitem e admitam divergências, que acreditamos próprias de qualquer debate de ideias.

6. Ao critério da Administração do Blog, serão bloqueados participantes que não respeitarem este conjunto de regras.

(Uma Ideia Original: Estadão)

>> Código de Conduta em PDF

A mistificação pode ser prato…

a-mistificacao-pode-ser-prato

Isto a propósito de outra mistificação vulgarizadíssima: “carne-de-porco-à-alentejana”. Disparate profundo. Logo porque a tal “carne de porco à alentejana” não é alentejana… é algarvia e litorânea, da orla. Foi “fabricada” à beira mar pelos mais abastados e desgostados com a febra do suíno que lhes cabia em sorte: o chiqueiro guarnecido a peixe, que enchia as manjedouras. Peixe não faltava e sobrava para o porco, cuja carne ganhava um sabor enjoativo. Gente de posse, então, comprava carne de “porco alentejano”, suíno em pasto no montado, engordado à boleta, saboroso. Juntava-lhe depois a amêijoa ou o berbigão, ficava divino.

Foi assim que a CARNE DE PORCO ALENTEJANO COM AMEIJOAS, algarviada e bem algarviada, se transformou absurdamente em “carne de porco à alentejana”. Qual “carne de porco à alentejana”, qual carapuça! Tratem os bois pelos nomes e, já agora, os suínos também.A mistificação pode ser prato forte e, às tantas, comem-se corruptelas porque ignorância também enche a barriga. Por exemplo, entra-se num restaurante e lá está a ementa: “secretos”. Para tanto “secreto” que por aí vai, não haveria varrasco que chegasse. Na maior dos casos é “presa” ou é “pluma” que chega ao prato, mas o pacóvio engole… e paga. Também o “secreto” é de “pata negra” (não falta sequer quem, mais convencidamente, registe no cardápio: “porco ibérico”!), esquecendo-se o ufano de anotar, correctamente, “porco alentejano”. Enfim, andamos nestas idiotices. Que fazer?

Decifrada a “coisa”, a comezaina também tem modo fácil: febra de alentejano bem cortadinho, acalentado no alguidar com alho e louro, sal, pimenta e pimentão, salsa e coentro picadinhos, bem manuseados, para a carne ganhar em conveniência de paladar. Pode levar um laivozito de medronho ou (melhor) vinho do porto. Fica a marinar por umas horas. A confecção é simples: a frigideira leva ao lume banha a derreter (a melhor gordura, banha do rissol de preferência), na qual se frita a carne do porco. Quando a fritura esteja avançada, dá-se à mesma frigideira o encargo de receber as amêijoas (ou berbigão; por favor, cricas não, nunca, jamais, respeitai a boa carne e dai-lhe o que ela merece). As amêijoas vão abrindo no convívio salutar com a carne, a água dos bivalves fundindo-se e aliviando a gorduranca. Ó céus, como os deuses são nossos amigos! Mas – cuidado! – amai os deuses, não deixando “passar” (secar) o marisco.

Na travessa, a carne do porco e os bivalves são aconchegados com batata frita e azeitonas (optai pelas galegas, senhores), polvilhando por cima com coentro picado. E está feito.

Respeitai a carne do porco alentejano. Respeitai o paladar. Respeitai os costumes. E, por favor, respeitai os nomes.

Nuno Rebocho in Triplov

Opinião Pública

Opinião Pública

(Imagem: Marxists Internet Archive)

Leitura Obrigatória: Terramoto de longa duração

Um terramoto está a assolar a Europa. Não é detectável nos sismógrafos convencionais porque tem um tempo de desenvolvimento atípico. Não ocorre em segundos se não em anos ou talvez décadas. Consiste na convulsão social e política que vai decorrer da destruição progressiva do chamado modelo social europeu – uma forma de capitalismo muito diferente da que domina os EUA – assente na combinação virtuosa entre elevados níveis de produtividade e elevados níveis de protecção social, entre uma burguesia comedidamente rica e uma classe média comedidamente média ou remediada; na eficácia de serviços públicos universais; na consagração de um direito de trabalho que, por reconhecer a vulnerabilidade do trabalhador individual frente ao patrão, confere níveis de protecção de direitos superiores aos que são típicos no direito civil; no acolhimento de emigrantes baseado no reconhecimento da sua contribuição para o desenvolvimento europeu, e das suas aspirações à plena cidadania com respeito pelas diferenças culturais.

>> Ler mais em Abafos e Desabafos

5ªs à Noite nos Museus. Verão 2008

O Projecto 5ªs à Noite nos Museus. Verão 2008 tem o objectivo de oferecer nas noites de Verão, às 5ªs feiras, de uma forma lúdica, descontraída e pedagógica, vivências em espaços museológicos, através de actividades culturais diversificadas que visam atrair novos públicos, fidelizando os já existentes, mas também captar turistas em visita à cidade de Lisboa.

A par da oferta educativa de Verão dirigida a crianças e jovens, com este programa o IMC organiza um projecto-piloto com os Museus Nacionais de Arte Antiga, Arqueologia, Azulejo e Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, que se desdobra numa programação cultural diversificada com desconto de 50% na entrada e extensão do horário de funcionamento dos museus até às 23h00.

Consulte a programação em www.imc-ip.pt

A Ignorância bateu fundo…

(Foz Côa)

“A história das gravuras de Foz Côa e da futura barragem do Sabor é uma lição exemplar dos malefícios da demagogia, servida na política. Guterres tinha acabado de chegar a primeiro-ministro e, dos disponíveis dos Estados Gerais, foi buscar para ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho (que, depois e quando a nave socialista começou a meter água, foi o primeiro a saltar fora e, desmentindo a máxima de Guterres de que ‘Roma não paga a traidores’, acaba por ser compensado com o melhor tacho de todo o Estado português - o de embaixador na UNESCO). Juntos à época, Guterres e Carrilho resolveram inaugurar o mandato com uma decisão grandiosa: cancelava-se a barragem de Foz Côa, já em construção, e a benefício da preservação de uns tacanhos rabiscos numas pedras, que alguns ’sábios’ e alguns oportunistas decretaram ser gravuras paleolíticas. E nem a desfeita causada pela maior autoridade mundial na matéria - que, levado a ver os rabiscos, sentenciou que o suposto Paleolítico teria entre trinta e trezentos anos - abalou o entusiasmo e a determinação dos então governantes em jurar que, a partir daí, o património cultural teria prioridade sobre tudo o resto.A barragem prevista foi, pois, suspensa e, quanto às gravuras, sabe-se o que aconteceu: as prometidas excursões de milhares e milhares de portugueses e europeus previstas jamais aconteceram; o novo modelo de ‘turismo cultural’, que ali se iniciaria, foi nado-morto; não aconteceram os trabalhos científicos anunciados nem o interesse mundial naquela fantástica descoberta. Em contrapartida, arranjou-se uns lugares vitalícios para funcionários do Paleolítico e, vá lá, vá lá, desistiu-se de lhes fazer a vontade gastando mais uns milhões num museu sem conteúdo e sem qualquer viabilidade económica. Mas a barragem fazia falta à EDP e fazia falta à regularização do curso navegável do Douro. Por isso, não avançando Foz Côa, avança a barragem do Sabor, cuja construção Sócrates acaba de adjudicar.
Acontece que o Sabor, para quem não conhece, é, talvez, o mais bonito rio de Portugal, o mais preservado, o mais selvagem. Se passassem nas televisões um filme sobre os rabiscos de Foz Côa e outro sobre o curso do Sabor, as pessoas ficariam chocadas ao perceber aquilo que se decidiu preservar e aquilo que se decidiu destruir. O suposto Paleolítico derrotou o presente e o futuro. A invocada cultura afogou a beleza - um contra-senso filosófico que nem o dr. Carrilho conseguiria explicar. Nós destruímos os rios (e em nome do ‘ambiente’, como explicou Sócrates) e depois gastamos dinheiro a construir, e ainda bem, fluviários para explicar às criancinhas o que é um rio. O problema é que, se as “gravuras não sabem nadar”, os rios não sabem protestar. E é assim que se governa, quando o mais fácil é ceder à demagogia.”

By Miguel Sousa Tavares in, Expresso
Mais palavras para quê? A Ignorância Tem Limites!!!

Interrupção da Emissão


Retomaremos Brevemente
Até Já!

Isto vai mal…

Rumo

Triste Realidade…

http://mentedespenteada2.blogs.sapo.pt/arquivo/sismo.jpg

Portugal bateu no fundo!

Acção de Formação / Debate

INTERNET, INFORMÁTICA E CIDADANIA

Alternativas do software livre aos monopólios digitais

10 e 11 de Julho | Fábrica Braço de Prata - Livraria Ler Devagar | Lisboa

Acção de formação em SPIP (www.spip.net)

10 de Julho | 5.ª F | 18h30

Com a participação de:

Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;

Luís Carlos Feijão - programador informático.

Debate

11 de Julho | 6.ª F | 21h

Com a participação de:

Philippe Rivière - jornalista do Le Monde diplomatique e co-autor do software livre SPIP;

João Neves - ANSOL;

Inês Pereira - socióloga;

Nuno Teles - economista.

Entrada livre, sujeita a inscrição prévia. Inscrições para monde-diplo@netcabo.pt.

No final será emitido certificado de participação.

____________________________________________________________________________________

Os programadores da liberdade

Sociedade em rede e sociedade da informação, eis dois epítetos comummente utilizados para caracterizar, por um lado, os processos internacionais de interdependência global – financeira, comercial, etc. – e, por outro, a comercialização e o fechamento do conhecimento e da informação. Paralelamente a este processo central na sociedade contemporânea, encontramos, todavia, um conjunto de movimentos que propõem a criação de alternativas, entre os quais se destaca o do software livre.

O software livre pode ser definido como aquele cujo código-fonte está disponível, sendo possível copiá-lo, modificá-lo e distribuí-lo sem quaisquer autorizações ou pagamentos adicionais. Ou seja, qualquer indivíduo na posse dos conhecimentos necessários pode utilizá-lo e contribuir livremente para o seu desenvolvimento.

O software livre desenvolve-se em rede, numa ampla e complexa rede que engloba colectivos e indivíduos isolados que contribuem, a partir das mais diversas partes do mundo, para a construção colectiva de soluções informáticas. Neste sentido, o desenvolvimento do software livre só é possível porque existe a sociedade em rede, e porque existem infra-estruturas tecnológicas que permitem ligar os diversos pontos do globo entre si, tornando possível o estabelecimento de comunicações sincrónicas entre um e outro ponto do mundo.

Por outro lado, o software livre baseia-se numa alternativa ao fechamento da informação. Resulta de projectos individuais e colectivos, conjugando no seu seio uma multiplicidade de projectos e motivações. O primeiro tipo de projecto associado ao movimento do software livre prende-se com as possibilidades de inovação e criação tecnológica facultadas pelo uso das ferramentas de código-aberto. O software livre, cujos diversos «membros» elaboram mais ou menos autonomamente projectos de desenvolvimento, tradução e adaptação tecnológica, revê-se particularmente na ideia do prazer criativo. Simultaneamente, a inovação tecnológica surge dotada de sentidos e significados, incorporando éticas, ideologias e projectos de mudança. A utilização de software livre reveste-se de um sentido ético e o projecto do software livre é também um movimento social, construído em torno da ideia da liberdade, do acesso e partilha da informação e da independência face a grandes organizações empresariais de tendência monopolista e a estratégias comerciais que controlam arbitrariamente as aplicações informáticas disponíveis no mercado. Finalmente, o software livre está também a tornar-se parte de uma realidade empresarial, podendo ser também visto como um projecto económico.

O software livre surge assim como um movimento que reage a uma nova morfologia social e a novas lógicas de dominação, e que constrói alternativas no seio da sociedade em rede, em torno de uma das suas questões fundamentais: a circulação da informação, demonstrando que esta rede tem um imenso potencial disruptivo, e que outras informáticas são possíveis.

INÊS PEREIRA | Socióloga

____________________________________________________________________________________

Organização:

Le Monde diplomatique - edição portuguesa | ANSOL | Shift